URZAIS-TOJAIS HIGRÓFILOS

Urzal-tojal_Serra de Arga_2999a   Urzal-tojal higrófilo_Serra do Alvão_6466a

Urzais-tojais dominados por Erica ciliaris (esquerda) e por
Erica tetralix e Genista micrantha (direita)

Os urzais-tojais higrófilos [(4020) *Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris e Erica tetralix], são formações arbustivas dominadas por urzes (Erica ciliaris, E. tetralix, Calluna vulgaris), tojos (em geral Ulex minor) e algumas espécies do género Genista (G. anglica, G. berberidea, G. micrantha). São ainda frequentes diversas gramíneas (e.g. Agrostis hesperica, Nardus stricta), ciperáceas (e.g. Carex asturica, C. pilulifera), juncáceas (e.g. Juncus squarrosus) e dicotiledóneas herbáceas (e.g. dos géneros Cirsium, Polygala, Potentilla), características dos prados e juncais com que habitualmente se organizam em mosaico. Colonizam tipicamente solos permanentemente húmidos que sofrem períodos de encharcamento variáveis, situados em áreas depressionárias de planalto ou fundos de vale, e dispõem-se tipicamente em mosaico com cervunais higrófilos (habitat *6230), dependendo o predomínio de uma das formações da intensidade do pastoreio e/ou da roça. A queima, a drenagem e o sobrepastoreio são as actividades mais nefastas para a conservação deste habitat e conduzem à sua substituição pelos cervunais ou mesmo por pastagens de maior palatabilidade, pelo que a sua abundância se encontra extremamente dependente do regime de exploração antrópica de cada território, ou seja, do maneio e do tipo de uso.

CERVUNAIS

Cervunal dominado por Nardus stricta (cervum)

Cervunal dominado por Nardus stricta (cervum)

Os cervunais [(6230) *Formações herbáceas de Nardus, ricas em espécies, em substratos siliciosos das zonas montanas (e das zonas submontanas da Europa continental)] são arrelvados perenes acidófilos e cespitosos, dominados pela gramínea Nardus stricta (cervum), que contam ainda com a presença quase constante de Danthonia decumbens, Juncus squarrosus e Potentilla erecta. Ocupam solos profundos, pobres em nutrientes, com elevados teores de matéria orgânica, encharcados durante uma parte significativa do ano e hidricamente compensados no Estio. A persistência dos cervunais subseriais depende das pulsações de elevada perturbação por herbivoria entre a Primavera e o Verão e/ou da fenação. A extensão actual dos cervunais deve-se à acção humana e a sua regressão/degradação tem origem na redução da pressão de pastoreio, que favorece a invasão por arbustivas e a permanência de elevadas quantidades de biomassa aérea não consumida no final do Verão, na destruição física (e.g. pisoteio, abertura e alargamento de caminhos, deposição de resíduos) e na eutrofização motivada pelo uso de adubos azotados e/ou de correctivos calcários.

A presença dos dois habitats nestes mosaicos de vegetação, e a sua abundância relativa, dependem assim de um conjunto de práticas de gestão, cujo declínio (ou incremento acentuado) afectará negativamente, de forma muito significativa, um ou ambos os habitats.

Mosaico de Cervunal com urzal-tojal_7327a

Mosaico de urzal-tojal com cervunal

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LIFE09 NAT/PT/000043

Projecto:

Com a contribuição do instrumento financeiro LIFE+ da União Europeia

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